Repúdio ao fechamento da Petrobras em Sergipe - Blog do Noventa
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Repúdio ao fechamento da Petrobras em Sergipe

A Petrobras, desde o início da recessão, demitiu seis mil funcionários em Sergipe. Apesar disso, o Governo insiste em diminuir ainda mais o seu tamanho, e espera que cerca de sete mil e quinhentos peçam demissão voluntária ainda em 2019.
A Bahia fechou sua sede regional, assim como o Rio Grande do Norte, que já comunicou a demissão de cerca de 6.500 trabalhadores terceirizados e a transferência de outros 1.740 trabalhadores próprios.
Funcionários concursados são demitidos por se queixarem de assédio, por exemplo. A direção mantém um clima de perseguição e pressão, de modo a coagir os outros funcionários a pedirem demissão ou a se mudarem para Estados distantes. Um “assédio moral coletivo”, na palavra dos sindicalistas.
A sede da Petrobras em Sergipe será fechada no primeiro dia do próximo ano, apesar das 25 plataformas petrolíferas em mares sergipanos continuarem funcionando. O fechamento terá um impacto muito grande na economia de Sergipe, o menor Estado da Federação.
Os empresários e cidadãos sergipanos estão preocupados com o efeito cascata: o fechamento de empresas terceirizadas e de empresas dependentes da renda gerada pela cadeia produtiva do petróleo. Desde já, a iniciativa privada sergipana tem evitado investir e contratar, e até já demite, em função do impacto que a saída da Petrobras causará ao Estado.
Com a desocupação da sede da Petrobras em Aracaju, os funcionários foram comunicados que deverão ser transferidos. Muitos trabalhadores que têm suas famílias em Sergipe terão de se mudar para o Rio de Janeiro, Espírito Santo ou São Paulo.
A pergunta que fazemos, então, é se a estatal não poderia seguir outros rumos. A Petrobras, como qualquer estatal, sofre o dilema de ser duplamente pressionada: pelo mercado e pelo Estado. Mas temos um Governo que esquece a função social das estatais, e age apenas em função dos interesses privados, momentâneos, esquecendo-se da função estratégica da empresa. Quando falo da função estratégica, falo de funções estratégicas do ponto de vista militar, social e econômico. Pois a recessão um dia vai acabar, e se a Petrobras for privatizada, o Brasil terá menos um instrumento para lidar com pressões geopolíticas, sociais e econômicas.
Diziam que a empresa estava falida, mas ela voltou a ser lucrativa, e tem uma grande importância na economia sergipana e nacional. Se o Governo pressiona por mais demissões, teria a obrigação de garantir que os efeitos dessas demissões sejam compensados de alguma forma. Afinal, a principal vantagem comparativa da Petrobras é o petróleo brasileiro. No caso de meu Estado, o petróleo sergipano.
Não faz sentido que essa riqueza seja extraída sem que a Assembleia Legislativa de Sergipe, ou este Congresso Nacional, não tenha poder de barganha frente a empresa. É nisso que temos de pensar. Sem o petróleo brasileiro, a empresa valeria bem menos. O petróleo não é da Petrobras, ou do atual Governo: é do povo brasileiro. O petróleo que está no Estado de Sergipe deveria ser explorado no interesse do povo sergipano. Não me parece que a demissão em massa, e o fim de uma representação da Petrobras naquele Estado, seja de interesse público.
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